8 de julho de 2009

A INTENÇÃO COMUNICATIVA


Todo aquele que se comunica -falando, pintando, escrevendo, dançando etc. - tem uma intenção comunicativa. Ele, locutor, não está apenas querendo transmitir uma mensagem, passar uma informação, mas interagir com outra pessoa que se vai tornar o locutário. Ou seja, o locutor tem um objetivo em mente ao construir o seu texto e, normalmente, esse objetivo se relaciona com alguma ação. Toda palavra faz parte de um movimento maior em torno de uma ação social.

Por exemplo, uma bula de remédios. Ela pode ser lida a qualquer momento e pelos mais variados motivos. Ainda que a maioria considerasse absurdo, eu poderia ler uma bula de remédios antes de dormir, para relaxar um pouco. Mas, a intenção comunicativa de uma bula de remédios é outra. Ela existe na sociedade para que o leitor conheça adequadamente o remédio e saiba como usá-lo. O conhecimento e a aplicação das informações da bula de remédios pode significar o restabelecimento da saúde.

Assim, uma pessoa pode até ler uma bula de remédio para se distrair porque não tem o que outra coisa que fazer, contudo passar o tempo não é a intenção comunicativa da bula de remédios. É um uso para a bula, mas não atende à intenção comunicativa desse gênero discursivo. Quem escreve esse texto não o faz para que os outros passem um momento agradável de diversão.

É justamente o caso contrário do que ocorre com o filme de aventuras que alguém se assiste no cinema, domingo à tarde, com os seus amigos. Voltados para essa necessidade, existem muitos filmes de aventuras cuja intenção comunicativa é apenas fazer os locutários se distraírem e passar um bom momento. Mas não existem apenas filmes de aventuras em circulação na sociedade. Outros filmes ultrapassam esse objetivo e procuram, também, discutir valores ou criticar aspectos da identidade humana, por exemplo.

O primeiro e, sem dúvidas,  um dos maiores desafios de quem produz um texto é fazer o locutário cooperar com a intenção comunicativa do texto produzido. Em outras palavras, fazer com que o locutário esteja disposto a interpretar o texto de acordo com a intenção comunicativa do locutor.

Ou seja, de má vontade, sem querer participar, sem se envolver, o locutário não vai fazer o seu papel no processo de interação comunicativa. O locutário poderá então não compreender o texto ou fazer uma interpretação que foge aos objetivos desse texto. Ele vai ler, mas não vai interpretar adequadamente, nem agir de acordo.

Mas por que o locutário não atenderia à intenção comunicativa do texto que lê? Isso pode acontecer porque aquele que assume o papel de locutário não sabe (ou não deseja) realizar o trabalho de envolvimento com o texto necessário para interpretá-lo. Assim, é muito importante ao interpretarmos um texto, identificarmos a intenção comunicativa.

Algumas perguntas podem nos ajudar:
Ø Para que serve esse texto na sociedade?
Ø O que esse texto revela sobre o locutor?
Ø O que se espera que eu faça depois de ler esse texto?
Compreendendo a intenção comunicativa do texto, podemos também escolher até que ponto desejamos participar no processo comunicativo. Isto é, podemos envolvermo-nos mais ou menos, de acordo com nossas necessidades, possibilidades, desejos etc.
A escola, como instituição, no entanto, tem sido muito eficiente em 'matar' as intenções comunicativas dos textos. Em todas os componentes curriculares. Seja por reduzir os textos a intenções distorcidas daquelas para as que foram produzidos; seja por simplesmente ignorar o processo social que deu origem a tais textos.
 
Assim surgem enunciados que vão ficando famosos - em todas as disciplinas - : "Sublinhe os adjetivos no texto a seguir" e "No texto aparece o termo 'reação bioquímica'. Defina-o".
 
Eu pena! A terra nos seja leve!
 

24 comentários:

  1. Adorei as informações!!!:)

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  2. Adorei as informações estão ótimas e bem esclarecidas...

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  3. muito bom!!aprendi coisas que não sabia.

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  4. Conteúdo muito bom, esclareceu algumas dúvidas que eu tinha. Se tiver interesse, visite meu blog: http://rhbjhistoria.blogspot.com eu falo de história, pois é uma matéria que gosto muito. Parabéns pelo blog.

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  5. Muito agradável a leitura!

    Victor Acioly

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  6. Sucinto. Elegante. Esclarecedor!
    Obrigada pelas informações...

    Concordo..."Que a terra nos seja leve!"

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  7. Muito bom mesmo, você chegou ao ponto que eu queria, encontrei aqui as informações que eu buscava... Agradecida ;)

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  8. obrigado!!!!! me ajudou, nem imaginava que era isso

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  9. Estou estudando para um concurso público, e seu texto me esclareceu o que eu realmente precisava saber!

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  10. Adorei o blog, muito informativo e didático, inclusive indiquei a uma amiga! Tive o prazer de participar de uma capacitação que você apresentou! Parabéns e muito obrigada por auxiliar professores como eu, "desejosos" de mudanças!! Virna Vieira Leite

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    1. Eu que agradeço a gentileza do seu comentário. Forte abraço!

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  11. Muito bom, texto bastante claro. Informações úteis! Abraços!!

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  12. Onde posso encontrar outros exemplos de intenção comunicativa? A intenção comunicativa sempre gera uma ação?

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  13. ótima explicação,adicionei o sue blog nos meu favoritos.Obrigada mesmo,me ajudou muito,continue postando coisas no seu blog!

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  14. muito bom mesmo, gostei muito...

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  15. adorei bem esclarecido o texto parabéns me ajudou e muito!

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  16. ótimo! a verdade é que não sempre leio as bulas dos medicamentos, mas agora comprei valtrex e li tudo porque queria me informar bem esta vez.

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